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A CRÔNICA
Autor: Bárbara Henriques Grenha
Veja-se que, de uma forma generalizada – pelo menos a que circula nos livros didáticos – a crônica é assim descrita: do grego krónos = tempo. É algo entre o jornalístico e o literário que nasce da captação de um momento presente e que recebe um toque subjetivo. Normalmente publicada em jornais e revistas deixa de ser interessante assim que o fato que a originou passa a pertencer ao passado
Note-se que ou os livros andam condensados e didáticos demais ou as palavras é que não são suficientes para que se revele quanta poesia pode haver aí.
A crônica é mais do que o resultado dessa pobre e fria constatação. É obra espetacular. Começando pelo fato de que a captação de um momento, um flagrante da vida dentro de um viver tão acelerado, tão...capitalista já é algo fantástico.
E o que se pretende dizer com ‘recebe um toque subjetivo’? Significa que é engenho. Como arte é sublime transfiguração, é moldagem que a matéria recebe na alma sensível daquele que foi capaz de apreender um instante.
O perecer ou a eternidade da obra estão realmente de acordo com sua origem – quando se toma por ponto de referência toda a sociedade. Se nasce de uma inquietação universal transpõe o tempo e o espaço. Mas de forma alguma tem sua importância diminuída se porventura perece. Foi, em dado período, significativa, registrou-se na história. E quem poderá dizer em quantos espíritos não foi capaz de deixar um sinal permanente?
Por tudo isso a crônica está longe de ser o “primo pobre da literatura”.
Fontes:
MOISÉS, Massaud. Crônica. In: ______. Dicionário de termos literários. São Paulo: Cultrix, 1997, p.131-3. REY, Marcos. O que é mesmo uma crônica? Coração roubado. São Paulo: Global, 2007.
A procura de uma definição para tudo o que está dentro ou fora de si é uma constante do Homem, quase uma obsessão. Em literatura, tão inerente ao Homem, não poderia fazer-se diferente essa inclinação ao estabelecimento de classificações. Nesse campo, a crônica é elemento de interessante abordagem.
TAVARES, Henio. Teoria Literária.
* Bárbara H. Grenha é acadêmica do 1º período de Letras na FIC
